quarta-feira, 27 de maio de 2009

Oração, Trabalho e Disciplina x Drogas

O caminho até a Fazenda ? o Monsenhor Ciro Fanha? é longo. Localizada na encosta da Serra do Mar, é necessário chegar até o km 286 da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega e andar mais quatro quilômetros. O carro com a equipe do JV precisou parar antes. Foi preciso atravessar a pé a linha férrea com vagões estacionados. Esse mesmo percurso de 40 minutos demora quase uma eternidade, é difícil e torturoso para milhares de homens dependentes químicos. Isso porque lá, no meio da exuberante natureza da Mata Atlântica, fica o Cactos (Centro de Apoio e Recuperação de Dependentes de Drogas). Imaginar o que passa pela cabeça desses futuros ex-dependentes durante o caminho de ida é impossível. Carregam o sofrimento de uma vida destruída pelas drogas. A única certeza é a vontade de mudar, já que todos que estão ali decidiram sair desse mundo por livre e espontânea vontade. O projeto, que começou pequeno na Paróquia São Judas Tadeu e foi em seguida para a Igreja da Aparecida, em Santos, já atendeu mais de 2.500 pessoas. Algumas desistiram, mas a grande maioria conseguiu largar o vício em nove meses de tratamento e construir uma nova vida. O tratamento é alicerçado em três palavras: Trabalho, Disciplina e Oração. Trabalho é a forma que eles ocupam a grande parte do seu tempo na fazenda. Através da laboterapia, eles têm contato com animais e plantas. Tudo que produzem serve para o próprio consumo. ?oMuitos falam que só viam a morte na mão e agora acham maravilhoso ajudar no nascimento de um animal ou de uma planta desde a semente?, diz o diretor-presidente da Cactos, Marcelo de Souza Nascimento. O principal benefício da atividade é que ajuda na desintoxicação dos dependentes. ?oA toxina é eliminada pela urina e pelo suor. A gente acelera esse processo que demora de 2 a 4 meses?, conta Marcelo. Com relação disciplina, a palavra norteia todo funcionamento da casa. Eles têm horário para tudo, para acordar, trabalhar, almoçar, orar, lazer e dormir. As regras são rígidas. ? exigido respeito ao espaço e pertences do companheiro, arrumar e manter pertences organizados, limpar o quarto todos os dias, é proibido mexer no que não é seu ou deixar qualquer coisa fora do lugar. ?oEles precisam de regras. Na grande maioria dos casos, o pai, com medo de impor regras, fez com que eles fizessem suas vidas sem limite nenhum, e foi aí que caíram e abusaram nas drogas?, diz o presidente da Cactos. A oração também é imprenscindível. Estudos bíblicos, reuniões sobre espiritualidade e a hora do terço fazem parte da programação da fazenda. ?oMostra que eles não estão isolados do mundo, que precisam de Deus para rever seus valores?, diz Marcelo. Segundo ele, a falta dessa espiritualidade fez com que algumas pessoas tivessem que, posteriormente, retornar ao Cactos. ?oA dependência química é uma doença incurável, é progressiva, porém controlável. Eles saem, voltam a trabalhar, ganham dinheiro, e acham que estão livres para fazer tudo, quando na verdade precisam sempre participar de reuniões, grupos, ter uma religião?. Muitos que passaram pela casa, hoje vivem normalmente. A grande maioria dos voluntários são ex-dependentes que se familiarizam com o lugar e querem fazer algo para ajudar depois de receberem de graça a chance de uma vida nova. Essa oportunidade pode ser retratada e explicada por um bispo de Roma, que visitou a Região na época da santificação da Santa Bakita. Em uma placa, ele diz que já visitou lugares no mundo inteiro, que da janela de onde trabalha pode ver o Papa todos os dias, mas nunca viu um lugar com a presença tão forte de Deus. Ele termina dizendo. ?oDeus está nesse lugar?

Fonte: Jornal Vicentino

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